O documento estabelece normas e obrigações para o direito exclusivo de uso, desenvolvimento, produção, exploração comercial e prestação de serviços relacionados à tecnologia de obtenção da pele de tilápia liofilizada – em especial a fabricação e comercialização de um kit de curativo biológico.

Iniciada em 2015, a pesquisa sobre o uso da pele de tilápia na medicina regenerativa foi desenvolvida pelos médicos pesquisadores Edmar Maciel Lima Júnior e Marcelo José Borges de Miranda em parceria com a UFC, envolvendo equipes e instalações do Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos (NPDM) da universidade.
Segundo o contrato, uma vez detentoras desse direito, cabe às empresas realizar e arcar com todo o processo de desenvolvimento, produção, industrialização e exploração comercial do produto derivado da tecnologia: um curativo biológico, oclusivo e temporário no tratamento de queimaduras e feridas em humanos e animais.
As etapas necessárias incluem verificação de eficácia e estudo clínico de alergenicidade e sensibilidade, além da obtenção de todas as aprovações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). As mesmas aprovações devem ser obtidas nos órgãos reguladores do uso do produto em animais.
O prazo máximo para início da comercialização do curativo é de cinco anos para humanos e de três anos para animais, devendo a empresa realizar a produção ou prestação de serviço em quantidade suficiente para atender à demanda do mercado. A vigência total do contrato é de 14 anos.
VALORES – Além da UFC, também são detentores dos direitos de titularidade da tecnologia os médicos Edmar Maciel (coordenador da pesquisa) e Marcelo José de Miranda (idealizador da pesquisa).
Para acessar a tecnologia, o consórcio Biotec’s deverá pagar o valor inicial de R$ 850 mil. Já ao longo da vigência do contrato, deverá pagar, no percentual de royalties, 3,7% da receita líquida derivada da exploração comercial da tecnologia, distribuídos entre os licenciantes.
O licenciamento não impede nenhuma das partes de continuar a realizar pesquisas sobre a tecnologia, seja unilateralmente ou em parceria. Tanto que, no último dia 31 de outubro, a UFC inaugurou no NPDM o Laboratório de Pesquisa da Pele de Tilápia. Com infraestrutura física de 225m², o novo equipamento é voltado ao avanço dos estudos com a pele de tilápia.
Caso eventuais resultados alcançados configurarem um novo ativo intelectual, todas as partes poderão figurar como cotitulares dos direitos de propriedade. Já se o resultado for uma melhoria adicional à tecnologia, os direitos permanecerão 100% com a UFC e os outros licenciantes.
O contrato estabelece ainda normas relacionadas à terceirização de atividades; para casos de procedimento administrativo ou judicial; para casos de descumprimento de prazos, de pagamentos e outras obrigações das empresas, entre outros aspectos.
Fonte: Prointer – secretaria@prointer.ufc.br
https://www.ufc.br/noticias/noticias-de-2025/19854-ufc-assina-contrato-com-empresa-para-producao-de-curativo-biologico-a-partir-da-pele-de-tilapia
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Deysi Wong é professora do Departamento de Fisiologia e Farmacologia da Famed-UFC e pesquisadora do Laboratório de Farmacologia da Inflamação e do Câncer (Lafica) no Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos (NPDM). Atualmente, é coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Medicina Translacional e docente permanente dos programas de pós-graduação em Farmacologia e Patologia da UFC.
Para ela, a diplomação representa mais do que um reconhecimento: “Tomar posse como membro afiliada da Academia Brasileira de Ciências representa para mim um ápice da minha trajetória e também uma responsabilidade para trilhar meu caminho no direcionamento da vida dos meus alunos no virtuoso caminho da ciência”, destaca, observando a honra de representar a UFC e mulheres pesquisadoras que se dedicam à ciência. “Aproveito para agradecer à minha família, aos meus mentores, em especial à professora Elisabete Moraes e ao saudoso professor Ronaldo Ribeiro, e aos meus alunos”, acrescenta.
Além de Deysi Wong, foram diplomados como membros afiliados da ABC da Regional Nordeste e Espírito Santo 2025-2029: Cássio Santana Meira, da Universidade Senai Cimatec; Edeildo Ferreira da Silva Júnior, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal); e Mônica Felts de La Roca Soares e Nivan Roberto Ferreira Júnior, da UFPE.
O evento, intitulado Simpósio e Diplomação dos Membros Afiliados da Academia Brasileira de Ciências da Regional Nordeste e Espírito Santo 2025-2029, incluiu conferências magnas de acadêmicos renomados e foi transmitido ao vivo pelo canal da ABC no YouTube. A programação seguiu com a 33ª Sessão Ordinária da ABC, realizada nos dias 11 e 12 de setembro, também na UFPE.
UFC NA ACADEMIA – Além de Deysi Wong, outros 21 docentes da UFC são ou já foram membros afiliados da ABC, categoria criada em 2007 para incluir jovens pesquisadores promissores das seis regiões definidas pela academia (Norte, Nordeste e Espírito Santo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Centro-Oeste, São Paulo, e Sul), indicados e eleitos por membros titulares daquela academia.
Com informações da Academia Brasileira de Ciências.
Escrito por UFC Informa
Fonte: Programa de Pós-Graduação em Medicina Translacional da UFC – e-mail: medicinatranslacional@ufc.br
]]>O resultado final da Chamada INCT 46/2024 foi divulgado no dia 30 de junho. Dos 143 projetos aprovados, 26 são coordenados por mulheres. Na região Nordeste, das 24 propostas aprovadas, apenas quatro são lideradas por pesquisadoras (Ceará, Piauí, Paraíba e Pernambuco).

O projeto INCT T-Bio2: Biodescoberta Translacional e Biomodelos, coordenado pela professora Cláudia do Ó Pessoa (UFC), é um dos contemplados. Cláudia é pesquisadora do Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos (NPDM) da UFC. Em parceria com a professora Maria Lucia Zaidan Dagli, da Universidade de São Paulo (USP), o projeto visa estabelecer uma plataforma pré-clínica inovadora, integrando ciência de ponta e colaboração internacional para acelerar o desenvolvimento de terapias mais eficazes e personalizadas no combate ao câncer.
A coordenadora afirma que o INCT T-Bio2 irá posicionar a pesquisa da UFC na vanguarda da inovação em saúde no país. “Nosso objetivo é impulsionar o desenvolvimento de novos insumos farmacêuticos ativos (IFAs), conectando a produção científica ao setor produtivo da indústria farmacêutica nacional. Assim como valorizar a biodiversidade brasileira como fonte incontestável de novas moléculas promissoras para a saúde”, explica Cláudia.
O INCT T-Bio2 propõe o desenvolvimento de biomodelos oncológicos, incluindo Oncopigs geneticamente editados, para a avaliação de fármacos e biofármacos anticâncer, com foco na promoção da medicina de precisão. A iniciativa integra tecnologias de ponta, edição genética, cultura celular 3D, tumoroides, além da aplicação da oncologia veterinária e comparada, com ênfase no estudo de neoplasias espontâneas em cães.
Com foco em relevância científica e abrangência multidisciplinar, a proposta da UFC reúne 64 pesquisadores de áreas complementares, provenientes de 14 instituições nacionais. O projeto contará com a colaboração de oito instituições internacionais, oriundas de países como EUA, China, Uruguai, Suíça, Portugal e Irlanda, além de contar com a parceria do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
“Essa conquista representa um marco importante na trajetória das pesquisas desenvolvidas no Laboratório de Oncologia Experimental (LOE) da UFC, fruto do esforço coletivo de nossos pesquisadores, estudantes, servidores e colaboradores. É uma vitória compartilhada, que reafirma nosso compromisso com uma ciência de excelência, inovadora e voltada para gerar impacto real na sociedade”, celebra a pesquisadora.
A segunda iniciativa da UFC contemplada é o projeto Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Biotecnologia Marinha (INCT BioMar). Sob coordenação do professor Alexandre Holanda Sampaio, do Departamento de Engenharia de Pesca da UFC, tem o objetivo de explorar a biodiversidade marinha brasileira de forma sustentável, buscando identificar, isolar e estudar biomoléculas com potencial biotecnológico para o desenvolvimento de novas terapias e produtos em biotecnologia e ciências biomédicas.
“A proposta do INCT BioMar é transformar a riqueza dos nossos mares em conhecimento, biotecnologia e saúde, sempre com responsabilidade ambiental, ética científica e compromisso com o desenvolvimento sustentável. Nosso foco inclui aplicações contra infecções bacterianas resistentes, câncer, diabetes, doenças negligenciadas, como a leishmaniose, e no desenvolvimento de curativos inteligentes”, explica Alexandre.
Segundo o coordenador do projeto, o recurso permitirá a consolidação do INCT BioMar como centro de excelência em biotecnologia marinha. Alexandre destaca que o valor será destinado ao fortalecimento da infraestrutura dos laboratórios participantes, bem como à formação de recursos humanos qualificados, com custeio de bolsas de iniciação científica, além de apoio a missões científicas dentro e fora do país.
“Estar entre os selecionados e representar a UFC em uma lista tão qualificada é uma grande conquista. É um reconhecimento da competência do Laboratório de Biotecnologia Marinha (BioMar Lab), que já desponta com evidências nacionais e internacionais pela produção científica. Somos um dos grupos mais relevantes mundialmente na área de pesquisa em lectinas de algas e invertebrados marinhos”, ressalta o coordenador.
O projeto também deve investir em ações de divulgação científica e educação ambiental, com a realização de eventos abertos à comunidade, visitas a escolas, oficinas e produção de materiais educativos. O objetivo é levar o conhecimento sobre a biodiversidade marinha de forma acessível, conscientizando a população sobre sua importância e sobre o uso sustentável desses recursos.
“A aprovação do INCT BioMar nos motiva a implementar um instituto robusto, ativo e relevante, capaz de mostrar para a sociedade e para a comunidade científica o valor da biodiversidade marinha brasileira e o imenso potencial dos nossos mares para a saúde, a ciência e a inovação. Estamos comprometidos em fazer desse projeto um marco, tanto para a UFC quanto para o avanço da biotecnologia marinha no Brasil”, comemora Alexandre.
SAIBA MAIS – O programa Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCT) é uma iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e outras instituições. Criado em 2008, o programa fomenta a criação de redes de pesquisa em temas estratégicos, promovendo a cooperação internacional.
A chamada pública visa apoiar a criação e manutenção de novos INCTs no Brasil, com o objetivo de fortalecer a pesquisa nacional e impulsionar o desenvolvimento científico e tecnológico do país. Com investimento de R$ 1,5 bilhão, a Chamada INCT 46/2024 apresenta o maior valor já destinado ao programa.
Escrita por UFC Informa03
Fontes: Cláudia do Ó Pessoa, coordenadora do INCT T-Bio2 – e-mail: inctbio2@gmail.com; Alexandre Holanda Sampaio, coordenador do INCT BioMar
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“As pesquisadoras da UFC conseguiram conquistar 52% dos projetos aprovados no edital Mulheres na Ciências. Isso mostra a competência e a produtividade das mulheres que lideram grupos de pesquisa e reforça o protagonismo delas dentro da UFC”, destaca Regina Célia Monteiro de Paula, pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da UFC e uma das pesquisadoras selecionadas.
O edital lançado pela Funcap foi destinado exclusivamente a pesquisadoras coordenadoras de projetos de pesquisa a fim de promover a equidade de gênero na ciência do Ceará, em consonância com o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) nº 5 da Organização das Nações Unidas.
“Embora a presença de mulheres na ciência seja equivalente à de homens, há decréscimo desigual quando da progressão para instâncias superiores da ciência. Da mesma forma, grandes projetos interinstitucionais, embora tenham participação equivalente de homens e mulheres, têm fração ínfima de coordenadores mulheres. Esta situação desigual requer uma política assimétrica para sua correção”, apontou o documento.
EQUIDADE – Mesmo com avanços, as mulheres seguem em menor número entre os pesquisadores selecionados em editais gerais. Para se ter uma ideia, apenas 35% das bolsas de produtividade em pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) na chamada de 2024 foram destinadas a mulheres. O dado positivo é que esse percentual subiu para 40% entre os selecionados que irão receber uma bolsa de produtividade pela primeira vez. Dos 1.555 aprovados, 626 são mulheres (40%).
Para reduzir essas assimetrias, instituições de fomento à pesquisa criam alguns instrumentos, como cotas em chamadas públicas e editais exclusivos para o gênero feminino. “Este tipo de edital (Mulheres na Ciência) estimula que mais mulheres se tornem protagonistas na ciência. Em geral, mesmo em projetos com muitas mulheres na equipe, são homens que coordenam os projetos, refletindo culturas de protagonismo masculino. Nós, mulheres, às vezes sequer percebemos que estamos contribuindo para esse protagonismo masculino”, considera Francisca Soares de Araújo, umas das selecionadas no edital da Funcap.
“Ao criar condições equitativas de acesso e liderança, esses instrumentos fortalecem a participação feminina na ciência e contribuem para a pavimentação de um ambiente acadêmico mais justo, plural e alinhado aos compromissos globais de desenvolvimento sustentável”, reforça Mirna Bezerra, que também integra a lista das pesquisadoras selecionadas.
Conheça as 11 pesquisadoras da UFC selecionadas no edital:
Professora associada e coordenadora do Laboratório de Geoprocessamento e Cartografia Social (Labocart), do Departamento de Geografia da UFC. Criou e lidera o grupo de pesquisa Observatório da Energia Eólica desde 2018. Foi agraciada com o Prêmio Lúmina Mulheres Brilhando na Ciência como promessa científica na área de Ciências Humanas da UFC.
2. Débora Castelo Branco de Souza Collares Maia
Docente de Microbiologia Médica e orientadora dos programas de Pós-Graduação em Microbiologia Médica e de Farmacologia da UFC. É afiliada à Academia Brasileira de Ciências desde 2023.
Professora adjunta do Departamento de Fisiologia e Farmacologia da UFC, é vinculada aos programas de pós-graduação em Farmacologia, Medicina Translacional e Patologia. É membro efetivo da Sociedade Brasileira de Farmacologia e Terapêutica Experimental, líder do grupo de estudos de Biomarcadores e Alvos Terapêuticos no Câncer e mãe de três filhos.
Professora titular do Departamento de Biologia da UFC. Coordenou a elaboração da proposta de criação do Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Recursos Naturais da UFC, do qual foi a primeira coordenadora no período de agosto de 2007 a julho de 2011, e de dezembro de 2018 a julho de 2023.
5. Kelma Maria dos Santos Pires Cavalcante
Professora adjunta da UFC, é coordenadora do Laboratório de Planctologia do Departamento de Engenharia de Pesca, onde desenvolve pesquisas com cultivos de microalgas, quantificação de ficobiliproteínas e polissacarídeos e biorremediação. É revisora de revistas científicas internacionais.
Docente da Faculdade de Medicina da UFC, onde leciona no curso de graduação e nos programas de pós-graduação em Saúde Pública (PPGSP) e em Microbiologia Médica (PPGMM). É coordenadora do ambulatório de Micoses Sistêmicas do Hospital São José de Doenças Infecciosas.
7. Maria Alexsandra de Sousa Rios
Professora adjunta do Departamento de Engenharia Mecânica da UFC. Atualmente é vice-coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica e bolsista de produtividade em pesquisa do CNPq nível 2.
8. Maria Elisabete Amaral Moraes
Professora titular de Farmacologia Clínica da Faculdade de Medicina da UFC, é coordenadora do Centro de Pesquisa Clínica da Unidade de Farmacologia Clínica e idealizadora do Mestrado Profissional em Farmacologia Clínica do Programa de Pós-Graduação em Farmacologia da UFC. Integrante do The American College of Clinical Pharmacology e da British Society of Pharmacology. Membro titular da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil. Participa de 11 patentes.
9. Mirna Marques Bezerra Brayner
Professora titular de Farmacologia do curso de Medicina do Campus de Sobral da UFC. Docente permanente do mestrado em Ciências da Saúde da UFC em Sobral e do Programa de Pós-Graduação em Medicina Translacional. Fundadora e primeira coordenadora das Comissões de Ética no Uso de Animais da UFC (Campus de Sobral) e do Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos (NPDM) da UFC.
10. Regina Célia Monteiro de Paula
Professora titular do Departamento de Química Orgânica e Inorgânica da UFC, atualmente é pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da mesma instituição. É revisora de 22 periódicos nacionais e internacionais, autora e coautora de mais de 122 artigos científicos e uma patente. Foi incluída na lista dos 100 mil cientistas com maior impacto e visibilidade do mundo em 2021.
11. Roberta Jeane Bezerra Jorge
Professora adjunta de Farmacologia da UFC, orienta trabalhos nos programas de pós-graduação em Ciências Morfofuncionais, em Medicina Translacional, em Farmacologia e no Mestrado Profissional de Farmacologia Clínica da UFC. Coordena o Programa de Pós-Graduação em Ciências Morfofuncionais desde 2021 e integra a Academia Brasileira de Jovens Cientistas (ABJC).
Escrito por UFC Informa
Fonte: Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação da UFC – e-mail: prposufc@ufc.br
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Durante a cerimônia, o idealizador e coordenador do NPDM, professor Odorico de Moraes, apresentou o núcleo e fez um balanço daquilo que já foi conquistado ao longo dos anos. Também contou sobre o processo de criação e de construção do atual prédio da unidade, que ocupa um espaço de 10 mil m² no Porangabuçu, abrigando 28 laboratórios para pesquisas toxicológicas e farmacológicas, além de biotério e estrutura hospitalar para testes de novos protocolos em câncer.
“A gente sempre quis um prédio que produzisse ciência de qualidade e que essa ciência pudesse se transformar em bem social”, ressaltou Odorico. Durante a prestação de contas, o coordenador também citou a atuação de destaque do núcleo, que é vinculado à Faculdade de Medicina (FAMED), por meio do Departamento de Fisiologia e Farmacologia. Atualmente, são quase 70 pesquisadores, ligados às áreas de química medicinal, pesquisa clínica, genômica, epigenética, entre outras relacionadas a medicamentos.
O núcleo reúne pesquisadores e estudantes de graduação e pós-graduação, oriundos de nove departamentos da Universidade e de outras seis instituições (entre públicas e privadas). Ao longo dos dez anos, foram produzidos 3.018 artigos científicos, 273 capítulos de livros e 14 livros. O NPDM possui 13 patentes e duas marcas registradas. Uma das pesquisas de destaque é o uso da pele de tilápia para o tratamento de queimaduras e a utilização em cirurgias ginecológicas.

HOMENAGENS – Depois da apresentação, pessoas que contribuíram com os serviços prestados pelo NPDM foram homenageadas com o recebimento de placas de agradecimento. Entre os agraciados, estavam os três ex-reitores da UFC – os professores René Barreira, Jesualdo Pereira Farias e Henry Campos –; o ministro da Educação, Camilo Santana; além de trabalhadores importantes para a construção e a manutenção do espaço, como o vigilante Gleiciano Ribeiro e o engenheiro Francisco José de Abreu Machado.
“É o momento de agradecer às pessoas que contribuíram para tudo isso. Foi uma luta muito grande para chegar aonde chegamos”, ressaltou Odorico, que também esteve entre os homenageados.
EXEMPLO – Na solenidade, o reitor da UFC, professor Custódio Almeida, ressaltou que o NPDM é um exemplo daquilo que se deseja para a Universidade. “A Universidade muitas vezes é aquele lugar que está perdendo sua capacidade de se inter-relacionar, de se comunicar e de criar convergências. Se a Universidade entrar na departamentalização, na falta de comunicação, a pesquisa não cresce, a inovação não aparece e a Universidade se enfraquece. O NPDM é um exemplo de um local onde a Universidade se encontra”, disse.
Custódio também chamou a atenção para o fato de o NPDM ser um grande espaço de pesquisa multiusuário, que congrega pesquisadores de diferentes departamentos e centros, como Faculdade de Medicina, Faculdade de Farmácia, Odontologia e Enfermagem e Centro de Ciências. “O resultado disso é a entrega de bens sociais importantíssimos na área que o NPDM atua, que é o desenvolvimento de medicamentos”, frisou o reitor.
Na cerimônia, o ex-reitor da UFC e professor da Faculdade de Medicina Henry Campos destacou a capacidade de contribuição do NPDM para o desenvolvimento do estado e da região Nordeste. “Não alcançaríamos tal patamar sem que, à frente do NPDM, não estivessem pesquisadores de renome internacional, que concederam a visão muito clara do caráter estratégico desta unidade, como produtora de formas capazes de alavancar o desenvolvimento através da inovação tecnológica”, afirmou.
NOVO HOSPITAL UNIVERSITÁRIO – Ainda na solenidade, o reitor da UFC anunciou a assinatura do contrato para construção do novo hospital universitário, em Porangabuçu. “Eu assinei o contrato semana passada do novo hospital universitário. Assinar o contrato significa que a licitação foi feita, a licitação foi homologada e o reitor assinou o contrato”, explicou. A ordem de serviço está prevista para ser dada no dia 28 de março, com a presença do ministro da Educação, Camilo Santana.

Custódio Almeida também falou sobre o andamento da criação do Distrito de Inovação em Saúde do Porangabuçu, por parte da Prefeitura de Fortaleza, e da influência positiva do NPDM para a instalação da área. “O NPDM é um exemplo que eu tenho dado, que exige do poder público que essa área inteira seja transformada em Distrito de Inovação em Saúde. Todos os equipamentos estão por aqui, faltando a definição da governança do distrito, a urbanização, a segurança. Quero cada vez mais ter o prazer de vir aqui ver as coisas acontecendo”, afirmou.
Fonte: Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos (NPDM) – e-mail:npdm@ufc.br
]]>Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos (NPDM) da UFC completa 10 anos.
Ficha técnica
Reportagem e edição de texto: Letícia Amaral
Imagens: Gutiérrez Reges e Nilson Filho
Edição de imagens: Roney Anderson, Gladson Caldas e Renato Maia

O produto é uma solução inovadora que melhora substancialmente a qualidade de vida dos pacientes, além de diminuir a carga de trabalho da equipe médica durante o tratamento de queimaduras e feridas. O biomaterial também originou novos métodos cirúrgicos que reduzem a morbidade pós-operatória, os custos cirúrgicos e a necessidade de autoenxertos.
Para falar sobre o assunto, a Sociedade Brasileira de Queimaduras conversou com o coordenador-geral da pesquisa, inventor e detentor de quase metade da patente do biomaterial, o médico Edmar Maciel Lima Júnior.
SBQ – Como foi que tudo começou?
A pesquisa iniciou-se em 10 de fevereiro de 2015. Esse produto que foi feita a chamada pública chama-se pele liofilizada. Ela é uma pele desidratada, embalada a vácuo e radioesterilizada no Instituto de Pesquisas Energéticas Nucleares (IPEN), em São Paulo, para depois estar pronta para uso em pacientes.
A ideia da pele liofilizada nasceu nos pesquisadores da UFC em 2018, foi desenvolvida a parte laboratorial na universidade, testada em animais no biotério da Universidade e usada clinicamente em testes em pacientes queimados no Hospital Público Instituto José Frota em Fortaleza (CE). Ou seja, ela é uma pele totalmente concebida no Ceará.
SBQ – O que muda com essa chamada pública?
Essa pele liofilizada foi para uma chamada pública porque envolve a universidade. É uma concorrência em que várias empresas se credenciam e escolhemos a melhor de acordo com o edital. Até junho será escolhida a empresa vencedora. Após essa chamada pública, a empresa registra esse produto na Anvisa. Concomitante a isso, desenvolve a sua fábrica para que aí sim essa pele liofilizada possa ser comercializada no Brasil e no exterior.
No momento, essa pele é utilizada apenas em pesquisas, tanto no Brasil como no exterior. Nós produzimos a pele aqui na Universidade e enviamos para projetos de pesquisa.
No produto Pele Liofilizada a Universidade Federal do Ceará detém 50% da titularidade, Edmar Maciel 43% e Marcelo Borges tem 7%.

SBQ – Quais as vantagens da pele liofilizada?
A vantagem dela sobre o que é feito atualmente na maioria da rede pública, que são curativos com cremes e pomadas, é que nas queimaduras superficiais ela fica aderida até o fim do tratamento e nas queimaduras mais profundas é trocada a cada cinco ou seis dias e não diariamente.
E a vantagem dessa pele liofilizada sobre o primeiro produto desenvolvido, que é a pele no glicerol (que ainda não foi para chamada pública) é que o custo de transporte é reduzido em até 90% no transporte aéreo, por ela poder ficar em temperatura ambiente, diferente da glicerolada, que tem que ficar em geladeira,
Além disso, por ser uma pele desidratada e embalada a vácuo, ela não tem umidade e reduz o risco de contaminação bacteriana. E por essa pele liofilizada não conter glicerol, ela não tem que ser lavada exaustivamente três vezes antes de aplicar no paciente para remover o glicerol, que é um álcool e causa dor.
SBQ – Após todos os trâmites da chamada pública, a pele poderá ser comercializada?
Os pacientes que já utilizaram pele de tilápia liofilizada em queimaduras, hoje são mais de 700 pacientes, estão em serviços onde é feito um projeto de pesquisa e esses pacientes entram em projeto de pesquisa. Somente depois que a empresa vencedora do chamamento registrar na Anvisa é que ela vai ser comercializada e disponibilizada tanto no Brasil como no exterior para hospitais e também para a população.
SBQ – Ela pode ser usada somente para tratamento de queimaduras?
Além de ser sucesso em queimaduras, tornou-se sucesso em feridas em animais, na odontologia, em feridas em cavidade bucal, na ginecologia, na reconstrução de canal vaginal, na agenesia vaginal, também em mulheres que fizeram irradiação e tiveram câncer e com isso a vagina encurtada, então foi sucesso na reconstrução de vagina.
E um projeto que nós temos em Cali, na Colômbia, com mais de 200 pacientes operados, de redesignação (mudança de sexo de homem para mulher). Também foi sucesso numa síndrome em crianças que nascem com os dedos das mãos juntos, que se chama sindactilia, e também está sendo estudado em outras áreas, como, por exemplo, feridas e úlcera varicosa.
SBQ – Para o paciente, quais são as vantagens dessa pele? Ela reduz a dor? Reduz o tempo de tratamento? Pode falar um pouco sobre isso?
A vantagem da pele liofilizada é que ela diminui as trocas de curativo, reduzindo drasticamente a dor nos pacientes. Além disso, como diminui a troca de curativos, diminui o trabalho da equipe e, consequentemente, diminui os custos do tratamento. Existe uma redução de um a dois dias no tempo de internação.
Fonte da notíciaData original de publicação: 17 Jan 2025
Autoria: Sociedade Brasileira de Queimaduras
Fonte: https://sbqueimaduras.org.br/noticia/pele-de-tilapia-liofilizada-devera-ser-comercializada-em-breve-apos-10-anos-de-pesquisa#:~:text=Essa%20pele%20liofilizada%20foi%20para,registra%20esse%20produto%20na%20Anvisa.

O projeto, iniciado em 2014, utiliza a alta concentração de colágeno tipo I presente na pele de tilápia para desenvolver um tratamento eficaz e sustentável. O material passa por um processo rigoroso de liofilização, que inclui desidratação, esterilização e embalagem a vácuo, garantindo sua segurança e qualidade.
Além de tratar queimaduras humanas, a tecnologia tem potencial para ser usada em medicina veterinária e cosmetologia. Agora, o foco está na produção industrial, com o objetivo de facilitar o acesso ao produto pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A reportagem também destacou a chamada pública da UFC, aberta até o dia 14 de fevereiro, que busca empresas parceiras para registrar o produto junto à Anvisa, estruturar a produção em escala industrial e comercializar o biomaterial no mercado nacional e internacional.
Confira a reportagem completa do Agro na Band no vídeo abaixo e saiba mais sobre como o NPDM está transformando ciência em benefícios concretos para a sociedade.
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Para expandir o alcance dos tratamentos à base desse biomaterial, a Coordenadoria de Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia (CPITT) da Universidade Federal do Ceará lançou oferta pública para uso da pele da tilápia liofilizada como curativo no tratamento de lesões em humanos e animais. O Edital nº 01/2025 é direcionado a empresas interessadas em obter o produto para preparo de curativos voltados ao tratamento de lesões em humanos e animais.
O produto é uma solução inovadora que melhora substancialmente a qualidade de vida dos pacientes, reduzindo o limiar de dor, o número de trocas de curativos, o risco de infecções, a permanência hospitalar, o gasto de insumos médicos, além de diminuir a carga de trabalho da equipe médica durante o tratamento de queimaduras e feridas. O biomaterial também originou novos métodos cirúrgicos que reduzem a morbidade pós-operatória, os custos cirúrgicos e a necessidade de autoenxertos (procedimento cirúrgico que consiste na transferência de um tecido ou órgão do próprio paciente para outra parte do corpo), acelerando ainda a recuperação após intervenções mais invasivas.
A oferta busca selecionar a proposta mais vantajosa para concessão de licença exclusiva para uso, desenvolvimento, produção e comercialização da patente intitulada “Processo de obtenção de curativo biológico oclusivo, uso do mesmo e kit” (BR 102019023961) registrada pela UFC no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
As empresas interessadas devem enviar as propostas até o dia 14 de fevereiro de 2025 pelo e-mail ufcinovaparcerias@ufc.br. Todos os documentos necessários estão descritos no edital da oferta pública.
PROJETO PELE DE TILÁPIA – Os estudos sobre o uso da pele da tilápia na medicina regenerativa foram iniciados em 2015 por pesquisadores da UFC e pelo médico Edmar Maciel Lima Júnior, do Instituto Dr. José Frota. As primeiras descobertas foram alcançadas no Núcleo de Pesquisas e Desenvolvimento de Medicamentos (NPDM), sob coordenação do professor Manoel Odorico de Moraes Filho.
Inicialmente, as pesquisas trabalhavam sob a perspectiva de aplicação apenas no tratamento de queimaduras de segundo grau e em feridas agudas ou crônicas. Até então, a medicina brasileira não dispunha de nenhuma cobertura cutânea temporária de origem animal para o tratamento dessas lesões – à diferença, por exemplo, dos Estados Unidos, onde a pele de porco é utilizada para essa finalidade e em larga escala. A importação do produto norte-americano nunca se mostrou comercialmente viável no Brasil, e a pele da tilápia, então, surgiu como uma alternativa revolucionária para preencher essa lacuna.
Isso porque os estudos empreendidos por Edmar Maciel – juntamente com a equipe de Histologia da professora Ana Paula Negreiros, da Faculdade de Farmácia, Odontologia e Enfermagem (FFOE) da UFC – identificaram a existência de grande conteúdo de colágeno tipo I na pele da tilápia, uma proteína que, ao interagir com feridas ou queimaduras, promove a aceleração dos processos de cicatrização e de reparação da matriz dérmica. A derme do peixe adere ao leito da lesão, evitando a perda de líquidos, promovendo uma barreira à invasão bacteriana e proporcionando o alívio da dor.
Atualmente, 337 pesquisadores estão envolvidos nos estudos de desenvolvimento de novos produtos com a pele da tilápia, espalhados por nove países, como Colômbia, Argentina, Guatemala, Estados Unidos, Alemanha e Holanda. Toda essa rede de investigação, que soma 100 projetos de pesquisa, está sob a coordenação de Edmar Maciel. Além do coordenador, também são inventores a Profª Maria Elisabete Amaral de Moraes, o Prof. Carlos Roberto Koscky Paier e o Prof. Felipe Augusto Rocha Rodrigues, atualmente no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE). Além da pele liofilizada, foram desenvolvidos a pele no glicerol, a matriz acelular e o colágeno purificado de pele de tilápia, para os quais existem ou foram solicitadas patentes no Brasil e no exterior.
Os estudos com esses produtos – já realizados, inclusive, em parceria com instituições como a NASA, a FIOCRUZ e o BUTANTAN – geraram, até o momento, 41 publicações em revistas científicas nacionais e internacionais e mais de 950 matérias publicadas na imprensa de 62 países, em 17 idiomas. Além disso, angariaram ao todo 25 premiações, todas em primeiro lugar, incluindo o Prêmio Eurofarma de Inovação.
Ao todo, a UFC depositou quatro patentes com produtos desenvolvidos a partir da pele da tilápia. Os produtos já foram utilizados em missões médicas para cuidado de vítimas de incêndio na Califórnia, Líbano, Pantanal e Uberaba e de enchentes no Rio Grande do Sul. O invento também é reconhecido midiaticamente, com citações nas séries Grey’s Anatomy, The Good Doctor, Vampiros, The Resident e One Piece. Em 2019, a pesquisa foi apresentada no Palácio do Planalto do Brasil.
A TILÁPIA – A tilápia-do-nilo, da qual é retirada a pele para os referidos estudos, é o peixe mais consumido no Brasil. Originalmente de água doce (por mais que recentemente tenha se adaptado ao mar brasileiro), o peixe é de fácil reprodução e existe em grandes quantidades no Brasil, especialmente no Nordeste.
Apesar do grande consumo, a pele da tilápia costuma ser descartada, e apenas 1% dela é utilizado no artesanato. Esse fato garante a viabilidade econômica do uso desse material. Além disso, animais aquáticos disseminam menos doenças que os terrestres, o que torna a pele da tilápia clinicamente mais segura.
Fonte: Coordenadoria de Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia da Pró-Reitoria de Inovação e Relações Interinstitucionais da UFC – e-mail: ufcinovaparcerias@ufc.br
Fonte da notíciaData original de publicação: 14 Janeiro 2025
Autoria: Portal da UFC
Fonte: https://www.ufc.br/noticias/19175-projeto-pele-de-tilapia-celebra-10-anos-com-oferta-publica-para-aquisicao-do-biomaterial-por-empresas

A fosfoetanolamina, conhecida como “pílula do câncer”, chegou aos pacientes antes de cumprir todas as etapas obrigatórias de testes previstos pelas boas práticas de pesquisa. Em entrevista ao programa Bem Estar, da Rede Globo, o Prof. Dr. Manoel Odorico de Moraes Filho, do Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos (NPDM), destacou a importância de avaliações rigorosas, incluindo experimentos em camundongos, antes de avançar para testes em seres humanos, alertando sobre os riscos de procedimentos precipitados.
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